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Dantas nas terras dos Carajás

Por Rogério Almeida

A violenta região de Carajás ganhou mais um capítulo no dia 21 de junho de 2012. 16 pessoas foram feridas à bala por jagunços da fazenda Cedro, localizada no município de Marabá (PA). A violência ocorreu pela manhã quando trabalhadores rurais sem terra ligados ao MST no sudeste do Pará realizavam um ato político que denunciava a grilagem de terra pública, de desmatamento ilegal e uso intensivo de venenos na área. O banqueiro Daniel Dantas é um personagem recente numa região considerada explosiva, quando o tema é a luta pela terra.

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Violência no Campo- Caso Brasília: após quase uma década, execução de dirigente vai a julgamento

Fonte: Blog Furo – Rogério Almeida

 

No dia de 20 outubro, em Belém, a partir das 8h  vão a julgamento os réus Alexandre Trevisan (Maneco) e Marcio Sartor (Marcio Cascavel) acusados da morte do dirigente sindical e do PT de Altamira Bartolomeu Morais da Silva (o Brasília). O militante tinha 47 anos  quando foi morto com 21 tiros após sessão de tortura, numa comunidade batizada de Castelo dos Sonhos, região de Altamira, sudoeste do Pará.

A execução ocorreu no dia 21 de julho de 2002. O processo segue o mesmo diapasão de outras execuções de dirigentes, a morosidade da justiça. É o segundo julgamento do caso. O dirigente denunciava o processo de grilagem de terras, desmatamento e corrupção em órgãos públicos. O Pernambucano de Serra Talhada ajudou a organizar a delegacia sindical no distrito de Castelo dos Sonhos.

Conforme relatório do movimento de Direitos Humanos, Castelo dos Sonhos é um distrito de Altamira, fica localizado às margens do rio Curuá (principal afluente do Rio Iriri, na Bacia do Xingu), a 153km ao sul do município de Novo Progresso, no chamado Vale do Jamanxim. Típica região de fronteira, concentrando cerca de 12 mil habitantes, Castelo dos Sonhos vive uma situação de total isolamento já que pertence ao município de Altamira, cuja sede municipal situa-se a 1100km de distância.

A região de fronteira integra a área da BR 163, a Cuiabá-Santarém, perímetro que passou a abrigar a violência contra camponeses, antes concentrada a sul e sudeste do Pará. A BR 163 é um dos eixos de integração do governo federal para a Amazônia do Pará e Mato Grosso, onde se pretende erguer a hidrelétrica de Belo Monte.

A região é conhecida por abrigar a derradeira reserva de mogno, madeira de grande valor comercial. E palco de agudas disputas e grilagens de terra. Foi lá que Cecílio de Rego Almeida, empreiteiro falecido em 2008 realizou a maior grilagem de terras da Amazônia, mais de cinco milhões de hectares. A operação foi protagonizada pela empresa Incenxil, que integra o grupo CR Almeida, radicado em Curitiba, que fez fortuna nos anos da ditadura. Almeida era natural do Pará.

A  violência contra camponeses e seus apoiadores e assessores deu o primeiro sinal na região com a morte de sindicalista Ademir Federecci (o Dema), 36 anos, executado na região de Altamira, em 2001, quando denunciava o processo de exploração ilegal de madeira, a corrupção nos processos de financiamento da extinta Sudam e grilagens de terras.

Já em 2003 uma chacina envolvendo seis trabalhadores rurais e um médio produtor denuncia o deslocamento do morticínio do sul e sudeste do Pará rumo a sudoeste do estado. E em seguida , 2005,  ocorre a morte da missionária Dorothy Stang.

Mais informações
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH)
Erika Morhy
(91) 9991-0104

Sul do PA – milícia expulsa agricultores acampados

Terra em disputa seria da família Junqueira do interior de  São Paulo
No último dia 30 de setembro, 18 homens fortemente armados mediante uso de violência, disparando tiros, ameaçando de morte, expulsaram cerca de 50 famílias que estavam acampadas na beira da estrada municipal que faz ligação entre o povoado de Casa de Tábua e a sede do município de Santa Maria das Barreiras.
O acampamento denominado Novo Tempo está situado em frente à fazenda Riachuelo, de aproximadamente 1800 alqueires, cerca de 9000 hectares e, supostamente de propriedade dos irmãos Marcelo e Luizito Plínio Junqueira, de Ribeirão Preto – SP.
As famílias estavam acampadas naquela área desde dezembro de 2010, quando a fazenda estava praticamente abandonada. Elas pleiteiam a desapropriação do imóvel para fins de reforma agrária, com a criação de um projeto de assentamento, nos termos da Constituição Federal que assegura esse direito.
Vale lembrar que este não foi o primeiro despejo violento realizado na área.  No dia 04 de junho de 2011 mais de 20 homens armados, que seriam de uma empresa de segurança, expulsaram os acampados, fazendo ameaças de morte “a quem retornasse na área”. Tais fatos foram registrados na Delegacia Especializada em Conflitos Agrários – DECA. Apesar disso, os seguranças continuaram agindo, quando novamente no dia 30 de setembro fizeram outro ataque às famílias acampadas, demonstrando se tratar de uma milícia armada criminosa.
Entretanto, utilizando a força e a violência, o grupo de pistoleiros armados expulsou novamente as famílias ali presentes, sem fazer distinção de homens ou mulheres. Os referidos pistoleiros seriam da empresa SERVICOM. Durante o ataque, alguns estavam encapuzados e, outros usavam coletes sem identificação à prova de balas e afirmavam que estavam agindo a mando dos fazendeiros.
Eles chegaram repentinamente no acampamento, dispararam tiros contra as pessoas, agrediram vários acampados, inclusive alguns deles foram amarrados. Os pistoleiros também tiraram fotos das pessoas, colocando-as de duas em duas para a identificação das mesmas, as quais foram ameaçadas de morte, “caso retornem para o acampamento”. Várias pessoas se feriram no meio da confusão, sendo que 03 delas ainda estão desaparecidas.
Os acampados feridos foram atendidos nos hospitais da cidade de Redenção. Novamente foi registrado boletim de ocorrência na DECA, que disse que irá apurar o fato. Este cenário de terror está se tornando cada vez mais comum no Sul do Pará. A questão é: até quando vai prevalecer essa situação de violência e impunidade na região? Houve nesse caso, crimes graves, como tentativa de homicídio, lesão corporal, ameaças de mortes, dentre outros. Cabe à DECA investigar com rigor para punir seus autores, como medida de urgência para evitar novos ataques.
Esses fatos serão encaminhados à Ouvidoria Agrária Nacional para que se garanta uma investigação séria e rigorosa, para que os responsáveis sejam punidos.
Xinguara, 05 de outubro de 2011.
Comissão Pastoral da Terra – CPT da Diocese de Conceição do Araguaia
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santa Maria das Barreiras – STTR
Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará – FETAGRI/ Sul
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