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Reunião sobre o projeto Reciclando Vidas realiza planejamento para o segundo semestre de 2011

Nos dias 08 e 09 do mês corrente foi realizado uma reunião da Cáritas de Abaetetuba, Bragança, Paragominas e Regional Norte 2 sobre os avanços, desafios e metas a serem alcançadas para o segundo semestre de 2011 do projeto Reciclando vidas.

O projeto é direcionado a dar uma melhor qualidade de vida aos catadores, retirando-os do lixão. Fornecendo a eles qualificação, formação e sustentabilidade para a criação de grupos, associações e/ou cooperativas, proporcionando a eles inclusão social e cidadania. A iniciativa é da Cáritas Alemã, Cáritas Brasileira e Regional Norte 2 com o apoio da União Europeia.

No primeiro dia de reunião (08) foi feito uma retrospectiva do segundo ano do projeto (2010) nos três municípios. Durante a retrospectiva Cleciana Silva, representante da Cáritas de Paragominas, relata que o projeto alcançou saldos positivos na Cooperativa de Catadores de Materiais recicláveis do município (COOPECAMARE), pois proporcionou aos catadores terem uma maior iniciativa e se autogerirem dentro da cooperativa.

Uma das propostas para o segundo semestre é fazer atividades voltadas para a valorização do trabalho do catador e um levantamento sobre a situação das mulheres catadoras nos municípios abrangidos pelo projeto.

Reciclando Vidas, projeto da Cáritas Norte 2 com Catadores de Marituba.

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Quando se pensa em sustentabilidade a primeira ideia que vem a mente é reciclar. É com esse propósito que o projeto “Reciclando Vidas” realizado pela Cáritas do Regional Norte 2 em quatro municípios do Pará busca implementar: transformar a vida de catadores e catadoras em condições mais dignas de trabalho e melhor qualidade de vida.

 O projeto “Reciclando Vidas” é financiado pela União Européia através da Cáritas Alemã e visa o acompanhamento de grupos de catadores com o intuito de orientá-los no processo de formação e legalização em associações e/ou cooperativas. No Pará os municípios contemplados pelo projeto são Abaetetuba, Bragança, Paragominas e Marituba.

Segundo Ruth Heide Matos, assessora da Cáritas do Pará e Amapá, a formalização das cooperativas, ambiente de trabalho mais salubre e acesso a equipamentos e materiais apropriados para a captação do lixo resultam em uma melhor qualidade de vida aos catadores.

No último sábado (21) foi realizado uma visita no lixão de Marituba, localizado no bairro de Santa Luzia I para entrevistar os catadores que ali trabalham. O cenário ainda não é dos melhores, animais disputam o saco de lixo com os catadores. Muitos trabalham sob o sol quente e debaixo de chuva.

Durante as entrevistas foram perguntados aos catadores quais os instrumentos que utilizam para a captação do lixo, muitos responderam que utilizam bota, chapéu, calça comprida, luva e o gadanho, uma espécie de ferro que ajuda a abrir o saco e separar o lixo. Mas durante o período que estávamos lá, muitos não usavam a luva, não se conseguia ver as botas, totalmente imersas sobre o lixo.

A senhora Maria Ednair de 64 anos luta pela aponsentadoria

Foram perguntados também aos catadores quais os horários de trabalho, carga horária e a renda mensal. Foi verificado que os homens possuem uma carga horária de quase 12 horas e muitos trabalham de madrugada. Com exceção das mulheres que trabalham somente de dia, mas possuem uma carga horária de mais de oitos horas por dia como é o caso da Senhora Maria Ednair de 64 anos que trabalha como catadora há dez anos e que até hoje não está aposentada.

De acordo com Ruth Matos uma das propostas do projeto é acompanhar o grupo de catadores dessas associações e/ou cooperativas com o intuito de organizá-los e terem acesso ao mínimo de estrutura necessária para o trabalho. O projeto visa também incentivar os catadores a estabelecer parcerias com o poder público local, os mesmos são os principais responsáveis pelos resíduos sólidos dos municípios.

Dessa forma a associação de catadores de Marituba busca parceria com a prefeitura da cidade para melhoria das condições de trabalho, segundo a lei de Resíduos Sólidos todo o material reciclável deve ser destinado às associações ou cooperativas.

As condições socias e econômicas dos catadores são de vulnerabilidade, a maioria estudou até o ensino fundamental. Ruth Matos alerta que muitos catadores se sentem enganados por pessoas ou instituições que em nome da sustentabilidade realizam uma série de projetos que visam à melhoria de vida para os catadores, mas que de fato nada acontece.

Tudo começa com a formação

A Cáritas Norte 2 já trabalha com os catadores de Marituba desde 2009, através do projeto Cataforte que tem como parceiro a Fundação Banco do Brasil. Segundo a assessora da Cáritas Pará e Amapá, o Cataforte centra-se na formação dos catadores sobre a organização de associações e/ou cooperativas.

Os catadores de Marituba participaram do projeto de formação do Cataforte no qual foram realizadas diversas oficinas sobre o que é o trabalho do catador, conceito de trabalho coletivo, cadeia produtiva e técnicas de captação de materiais.  Ruth Matos revela que no Pará, quando não organizados, os catadores não buscam a coleta de materiais diversos. Os produtos são captados conforme a demanda, como não há contato com outras empresas, logo não há prospecção de novos clientes pra novos materiais.

Um dos resultados alcançados pelo Cataforte foi a formação e formalização de grupos de catadores “antes eles eram muito dispersos, eles trabalhavam de forma muito individual, eles não se reuniam de forma organizada em rede, hoje eles se reúnem, realizam projetos, isso já é bastante positivo.”, diz Ruth.

Este momento foi caracterizado como o primeiro estágio para se formar a associação, que iniciou em 2010 e agora com a inserção dos catadores de Marituba no projeto Reciclando Vidas para a formalização da associação, cujo nome já escolheu: ACAREMA (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Marituba) composta de 20 catadores inscritos na associação.

Em busca das metas

As principais metas do projeto Reciclando Vidas é examinar da renda dos catadores realizando um comparativo entre o valor que eles arrecadavam antes da formação do grupo e após a formalização da cooperativa no terceiro ano de projeto.

Para verificar esse diagnóstico, a assessora da Cáritas Norte 2 dá como exemplo a Cooperativa de Catadores de Materiais  Recicláveis de Paragominas (COPECAMARE). Conforme a assessora, antes os catadores ganhavam em média R$1000,00, mas tendo a participação de toda a família no trabalho “o marido, a mulher o filho em cima do lixão, de manhã, à tarde e a noite”. E acrescenta “sob uma condição de trabalho totalmente insalubre, sem horário de entrada, sem horário de saída, com apenas uma refeição por dia.”

Agora com acesso a outros projetos como o Reciclando Vida e a parceria da Prefeitura municipal através da Secretaria de Meio Ambiente os catadores de Paragominas possuem certa estrutura, fazem três refeições por dia. Ainda não estão 100%, mas eles saíram de cima do lixão e não trabalham mais no sol.

“Após adquirir o galpão e as parcerias estabelecidas com Prefeitura de Paragominas, os catadores passaram a trabalhar em condições mais salubres” lembra à assessora. Ela informa que no primeiro mês a renda diminuiu consideravelmente, registrou-se uma média de R$ 150 no mês de maio de 2010, com isso houve muitos catadores que desistiram da cooperativa. Ainda segundo Ruth Matos os que continuaram trabalhando na Cooperativa verificou-se um aumentou de R$ 700,00 a R$ 900,00 de 2010 até abril, quando foi aplicado o DRPU (Diagnóstico Rápido Participativo Urbano).

O projeto Reciclando Vidas termina no final deste ano “mas a ação da Cáritas com os Catadores é muito maior que o projeto” enfatiza Ruth. “Estamos buscando outras formas de dar continuidade ao projeto com outros financiadores, nós já temos três projetos prontos para cada município (Paragominas, Abaetetuba e Bragança). A ideia é fazer um novo projeto para Marituba, seguindo a metodologia do projeto, que é o acompanhamento sistemático, de estar presente, de orientá–los.”

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