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“Vivo com medo no Pará”, diz irmã de extrativista premiada na ONU

A professora Laísa Santos Sampaio voltou ao assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna (PA), na tarde desta segunda-feira (13), depois de receber a premiação póstuma oferecida pela ONU aos ambientalistas brasileiros José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, assassinados no Pará em maio de 2011. Ela é irmã de Maria e voltou a morar em sua casa, ao lado da fazenda onde morou o casal de extrativistas, mesmo sob os efeitos do medo e das ameaças de morte.

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POLÍCIA PRENDE O TERCEIRO ACUSADO DO ASSASSINATO DO CASAL DE EXTRATIVISTA DE NOVA IPIXUNA.

Ao completar quatro meses do assassinato de JOSÉ CLÁUDIO RIBEIRO DA SILVA E MARIA DO ESPÍRITO SANTO SILVA, a polícia civil com ajuda da polícia militar do Pará, efetuou a prisão de três acusados da morte do casal.

Na noite de ontem, foi preso, o pistoleiro ALBERTO LOPES TEIXEIRA DO NASCIMENTO, que se encontrava foragido, após ter participado do assassinato do casal, no dia 24 de maio último. O pistoleiro Alberto foi preso na própria cidade de Nova Ipixuna, a 40 km do local do crime. No domingo passado, foram presos outros dois acusados: o fazendeiro José Rodrigues Moreira e o pistoleiro Lindonjonson Silva Rocha.

Para a família do casal e para as entidades de direitos humanos que acompanham o caso, as prisões constituem passo importante na apuração das mortes e no combate à impunidade no campo, mas, alertam que outros passos precisam ser dados para a completa apuração do caso, dentre eles:

A inclusão no processo e prisão de outros acusados de participação no crime. Desde o início das investigações, os familiares e as entidades, sempre afirmaram que os envolvidos na morte do casal não seriam apenas os três identificados e indiciados pela polícia civil. As investigações da Polícia Federal chegaram a dois outros nomes que também tiveram participação na decisão de mandar matar o casal.

– A celeridade na condução do processo. Os familiares e as entidades esperam que a tramitação do processo seja rápida e os acusados sejam submetidos ao tribunal do júri ainda presos. Não pode acontecer com esse processo o mesmo que vêm acontecendo com outros processos que apuram assassinatos no campo na região. Muitos deles permanecem anos nas comarcas sem que os acusados sejam submetidos ao tribunal do Júri. Basta lembrar alguns casos: Chacina de Morada Nova – 10 anos, assassinato do sindicalista Dezinho – 11 anos, chacina da fazenda princesa – 26 anos, dentre outros.

Os familiares e as entidades solicitam:

Que o Ministério Público de Marabá encaminhe, com urgência, o aditamento à denúncia e inclua os outros acusados (identificados pela Polícia Federal ) no processo e suas prisões sejam imediatamente decretadas para que não fujam do distrito da culpa.

Que o Poder Judiciário, através do Juiz que conduz o processo, dê prioridade à tramitação processual e não deixe que a morosidade mais uma vez beneficie os criminosos, como no caso do Fazendeiro Marlon Pide, solto há um mês devido a morosidade do Tribunal de Justiça do Pará que levou 4 anos para decidir sobre o desaforamento do julgamento para a capital do Estado.

Marabá, 22 de setembro de 2011.

Familiares de José Cláudio e Maria.

Comissão Pastoral da Terra – CPT da diocese de Marabá.

Conselho Nacional das Populações Tradicionais.

FETAGRI Regional Sudeste.

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