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CÁRITAS E COOPERATIVA DE CATADORES INICIAM LIMPEZA DO CAETÉ

Diferente de apenas discursos, palestras e outros eventos teóricos, a Cáritas local [de Bragança] e a Cooperativa de Catadores de Lixo, com apoio da UFPA e empresários como o bragantino José Augusto, da RADISCO, iniciaram com voluntários e cessão de embarcações um mutirão de limpeza do Rio Caeté, partindo para ações práticas, observando a prioridade maior pela conservação dos recursos hídricos, nosso Rio Caeté, sua piscosidade, etc.
A ação visou a limpeza de rejeitos orgânicos que há anos acumulam-se às toneladas. Latas, isopores de embarcações, plásticos, ferro velho, animais em decomposição, óleo combustível, foram colhidos boiando nas águas e principalmente na margem do rio. O local mais poluído, conforme é possível observar nas  fotos, são sob as salgadeiras de peixe sob as barracas de frente para a cidade, onde funciona parte de uma das feiras mais infectas do Pará, a de Bragança, e também junto ao posto Fiscal.
Para ler o texto na íntegra, clique AQUI.

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Reciclando Vidas, projeto da Cáritas Norte 2 com Catadores de Marituba.

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Quando se pensa em sustentabilidade a primeira ideia que vem a mente é reciclar. É com esse propósito que o projeto “Reciclando Vidas” realizado pela Cáritas do Regional Norte 2 em quatro municípios do Pará busca implementar: transformar a vida de catadores e catadoras em condições mais dignas de trabalho e melhor qualidade de vida.

 O projeto “Reciclando Vidas” é financiado pela União Européia através da Cáritas Alemã e visa o acompanhamento de grupos de catadores com o intuito de orientá-los no processo de formação e legalização em associações e/ou cooperativas. No Pará os municípios contemplados pelo projeto são Abaetetuba, Bragança, Paragominas e Marituba.

Segundo Ruth Heide Matos, assessora da Cáritas do Pará e Amapá, a formalização das cooperativas, ambiente de trabalho mais salubre e acesso a equipamentos e materiais apropriados para a captação do lixo resultam em uma melhor qualidade de vida aos catadores.

No último sábado (21) foi realizado uma visita no lixão de Marituba, localizado no bairro de Santa Luzia I para entrevistar os catadores que ali trabalham. O cenário ainda não é dos melhores, animais disputam o saco de lixo com os catadores. Muitos trabalham sob o sol quente e debaixo de chuva.

Durante as entrevistas foram perguntados aos catadores quais os instrumentos que utilizam para a captação do lixo, muitos responderam que utilizam bota, chapéu, calça comprida, luva e o gadanho, uma espécie de ferro que ajuda a abrir o saco e separar o lixo. Mas durante o período que estávamos lá, muitos não usavam a luva, não se conseguia ver as botas, totalmente imersas sobre o lixo.

A senhora Maria Ednair de 64 anos luta pela aponsentadoria

Foram perguntados também aos catadores quais os horários de trabalho, carga horária e a renda mensal. Foi verificado que os homens possuem uma carga horária de quase 12 horas e muitos trabalham de madrugada. Com exceção das mulheres que trabalham somente de dia, mas possuem uma carga horária de mais de oitos horas por dia como é o caso da Senhora Maria Ednair de 64 anos que trabalha como catadora há dez anos e que até hoje não está aposentada.

De acordo com Ruth Matos uma das propostas do projeto é acompanhar o grupo de catadores dessas associações e/ou cooperativas com o intuito de organizá-los e terem acesso ao mínimo de estrutura necessária para o trabalho. O projeto visa também incentivar os catadores a estabelecer parcerias com o poder público local, os mesmos são os principais responsáveis pelos resíduos sólidos dos municípios.

Dessa forma a associação de catadores de Marituba busca parceria com a prefeitura da cidade para melhoria das condições de trabalho, segundo a lei de Resíduos Sólidos todo o material reciclável deve ser destinado às associações ou cooperativas.

As condições socias e econômicas dos catadores são de vulnerabilidade, a maioria estudou até o ensino fundamental. Ruth Matos alerta que muitos catadores se sentem enganados por pessoas ou instituições que em nome da sustentabilidade realizam uma série de projetos que visam à melhoria de vida para os catadores, mas que de fato nada acontece.

Tudo começa com a formação

A Cáritas Norte 2 já trabalha com os catadores de Marituba desde 2009, através do projeto Cataforte que tem como parceiro a Fundação Banco do Brasil. Segundo a assessora da Cáritas Pará e Amapá, o Cataforte centra-se na formação dos catadores sobre a organização de associações e/ou cooperativas.

Os catadores de Marituba participaram do projeto de formação do Cataforte no qual foram realizadas diversas oficinas sobre o que é o trabalho do catador, conceito de trabalho coletivo, cadeia produtiva e técnicas de captação de materiais.  Ruth Matos revela que no Pará, quando não organizados, os catadores não buscam a coleta de materiais diversos. Os produtos são captados conforme a demanda, como não há contato com outras empresas, logo não há prospecção de novos clientes pra novos materiais.

Um dos resultados alcançados pelo Cataforte foi a formação e formalização de grupos de catadores “antes eles eram muito dispersos, eles trabalhavam de forma muito individual, eles não se reuniam de forma organizada em rede, hoje eles se reúnem, realizam projetos, isso já é bastante positivo.”, diz Ruth.

Este momento foi caracterizado como o primeiro estágio para se formar a associação, que iniciou em 2010 e agora com a inserção dos catadores de Marituba no projeto Reciclando Vidas para a formalização da associação, cujo nome já escolheu: ACAREMA (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Marituba) composta de 20 catadores inscritos na associação.

Em busca das metas

As principais metas do projeto Reciclando Vidas é examinar da renda dos catadores realizando um comparativo entre o valor que eles arrecadavam antes da formação do grupo e após a formalização da cooperativa no terceiro ano de projeto.

Para verificar esse diagnóstico, a assessora da Cáritas Norte 2 dá como exemplo a Cooperativa de Catadores de Materiais  Recicláveis de Paragominas (COPECAMARE). Conforme a assessora, antes os catadores ganhavam em média R$1000,00, mas tendo a participação de toda a família no trabalho “o marido, a mulher o filho em cima do lixão, de manhã, à tarde e a noite”. E acrescenta “sob uma condição de trabalho totalmente insalubre, sem horário de entrada, sem horário de saída, com apenas uma refeição por dia.”

Agora com acesso a outros projetos como o Reciclando Vida e a parceria da Prefeitura municipal através da Secretaria de Meio Ambiente os catadores de Paragominas possuem certa estrutura, fazem três refeições por dia. Ainda não estão 100%, mas eles saíram de cima do lixão e não trabalham mais no sol.

“Após adquirir o galpão e as parcerias estabelecidas com Prefeitura de Paragominas, os catadores passaram a trabalhar em condições mais salubres” lembra à assessora. Ela informa que no primeiro mês a renda diminuiu consideravelmente, registrou-se uma média de R$ 150 no mês de maio de 2010, com isso houve muitos catadores que desistiram da cooperativa. Ainda segundo Ruth Matos os que continuaram trabalhando na Cooperativa verificou-se um aumentou de R$ 700,00 a R$ 900,00 de 2010 até abril, quando foi aplicado o DRPU (Diagnóstico Rápido Participativo Urbano).

O projeto Reciclando Vidas termina no final deste ano “mas a ação da Cáritas com os Catadores é muito maior que o projeto” enfatiza Ruth. “Estamos buscando outras formas de dar continuidade ao projeto com outros financiadores, nós já temos três projetos prontos para cada município (Paragominas, Abaetetuba e Bragança). A ideia é fazer um novo projeto para Marituba, seguindo a metodologia do projeto, que é o acompanhamento sistemático, de estar presente, de orientá–los.”

O apoio da Cáritas de Bragança gera resultados na Cooperativa Mista dos Caetés.

Fotos: Lilian Campelo

A criação da Coomac foi resultado do projeto “Extrativismo Sustentável de Oleaginosas” realizado em 2006, com intermédio do Padre João Nelson, fundador e presidente da Cáritas diocesana de Bragança e Rede Bragantina em parceria com o Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (DED).

O objetivo do projeto era através da colheita dos frutos de árvores oleaginosas da extração de óleos para a sua comercialização e produção de cosméticos, gerar trabalho e renda como inclusão social. Com isso há a conscientização dos trabalhadores em não desmatar a floresta e consequentemente a preservação da natureza.

O resultado deste projeto para o agricultor extrativista ribeirinho foi a capacitação e a valorização dos trabalhadores na região, os mesmos deixaram de ser apenas mão-de-obra extrativista barata para se tornarem profissionais valorizados e com isso respeitados.

Hoje a Coomac possui refinaria para óleo de sementes, prensa e equipamentos laboratoriais. Segundo Walmir do Carmo todo o processo se inicia com a coleta dos frutos regionais para a retirada do óleo, após isso o produto é enviado para a Beraca, empresa brasileira de renome internacional especializada em produtos orgânicos na área de cosméticos.

A empresa compra da Coomac os frutos e os óleos de buriti e do murumuru além de dar assistência à cooperativa no escoamento da produção ela realiza cursos aos agricultores para o refino do óleo. Assim como seleciona os óleos de boa qualidade dando certificação dos produtos à cooperativa.

Escolhidos os produtos, os óleos voltam para a cooperativa para serem transformados em cosméticos, artesanalmente e completa Walmir “depois de pronto o cosmético é mandado para outro laboratório para receber o selo de qualidade, só recebem os certificados os produtos que estiverem aptos para serem vendidos”.

A Coomac possui hoje 50 produtores na cooperativa e todos trabalham solidariamente em parceria e de forma economicamente sustentável trazendo renda para as famílias de Bragança, finaliza Walmir.

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