Arquivo mensal: maio 2011

Revista científica tem apoio da Cáritas Norte 2

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Hoje (30) ocorreu na sede do Regional norte 2 da CNBB o lançamento da Revista Terceira Margem realizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudo, Pesquisa e Assessoria na Amazônia (NIEPA) com o apoio da Cáritas do Regional Norte 2.

A revista será de publicação semestral e visa estimular o intercâmbio e o debate da pesquisa intesdisciplinar realizada por pesquisadores, alunos e demais atores sociais, cujo objetivo é disseminiar o conhecimento científico assim como a realidade Amazônica. Vários pesquisadores foram convidados a participar do lançamento da revista, dentre eles a geógrafa e pesquisadora Martine Droulers da Universidade de Sorbonne Nouvelle – Paris 3. A pesquisadora possui trinta e cinco anos de experiência em pesquisa na Amazônia e informa que a revista Terceira Margem será um diálogo entre os trabalhos acadêmicos, comunidade local e movimentos sociais.

 Além de Martine estava presente Ana Tandredi (Universidade Federal do Pará – UFPA), Josep Point Vidal do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), Gutemberg Guerra do Núcleo de Estudos sobre Agricultura Familiar (NEAF) e Mário Vasconcellos do Núcleo de Meio Ambiente (NUMA); todos os núcleos ligados à UFPA. O NIEPA foi organizado por estudantes dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Estatal do Pará (UEPA), que tiveram uma trajetória de vinculação a instituições e movimentos que desenvolvem ação social na Amazônia. Desde 2010, o NIEPA vem estudando a relação da expansão do cultivo do dendê (Elaeais guineensis Jaquim) em comunidades rurais e quilombolas na região do Nordeste Paraense. O apoio para o desenvolvimento dos estudos, pesquisa e assessoria junto às comunidades é oriundo da Cáritas Brasileira do Regional Norte 2 da CNBB.

A periodicidade da revista será de seis meses com o primeiro número marcado para ser durante no V Simpósio Internacional de Geografia Agrária que será realizado em Belém nos dias 7 a 11 de novembro de 2011, na UFPA.

NOTA DE PESAR SOBRE O ASSASSINATO DOS LIDERES DO PROJETO AGROEXTRATIVISTA PRAIALTA-PIRANHEIRA EM NOVA IPIXUNA

Regional Norte 2


 

 

NOTA DE PESAR SOBRE O ASSASSINATO DOS LIDERES DO PROJETO AGROEXTRATIVISTA PRAIALTA-PIRANHEIRA EM NOVA IPIXUNA

 

 

O assassinato dos líderes Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva, do Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, nos causa imensa revolta pela perda de duas vidas tão preciosas. Esses assassinatos aumentam o sentimento de que optar pelo lado dos que clamam por sede de justiça contra os donos do poder se tornou cada vez mais um perigo de morte, porque esses estão cada vez mais seguros da impunidade que nos cerca e continuam com “fome e sede de lucros” praticando verdadeiros massacres com os grandes projetos, com o agro-negócio devastador, com o desmatamento, com o trabalho escravo e tantas outras formas de violação aos Direitos Humanos.

Lutar contra tudo isso é o desafio que faz com que cada lutador e lutadora do povo abram os olhos todos os dias.

Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva que viveram a 24 anos em Nova Ipixuna fizeram essa opção de estar ao lado daqueles que não tem voz e por sua manifestação corajosa e firme frente à degradação ambiental manifestaram, desde sempre a fidelidade e o compromisso em defesa da vida.

Sabemos que o momento é difícil, mas que apesar do cálice amargo, a exemplo de Jesus Cristo, vocês terão a força para continuar a luta de Maria e José e de tantos outros que dedicam a sua vida em favor dos outros.

Coragem amigos e amigas do Conselho Nacional das Populações Extrativistas. Louvamos e agradecemos a Deus pela vida de todos vocês que continuam combatendo a miséria, a destruição das florestas e, sobretudo combatendo a impunidade. “[1]até o dia em que, pela força do Espírito da Vida e pela ação de nossas mãos, haja novos céus e nova terra, uma “terra sem males” na qual nunca mais haverá dor e lágrimas”.

Recebam a nossa solidariedade e o nosso compromisso de lutar juntos com vocês para que mais um crime contra os defensores da vida, não fique impune.

Nossos melhores cumprimentos

Equipe da Cáritas Regional Norte 02


[1] Trecho extraído do documento os pobre possuirão a terra, pronunciamento de bispos e pastores sinodais sobre a terra. Pg. 69 – 134

Cáritas Brasileira participa de VII Congresso Hispano-latinoamericano

Com o tema “Como avançar em uma caridade iluminada pela verdade: desafios ao longo do caminho”, a Cáritas Espanhola promove, nos dias 20 e 21 de maio, a sétima edição do Congresso Hispano-latinoamericano e do Caribe: Teologia da caridade. Cerca de cem representantes de 22 Cáritas da América Latina, além de todas as Cáritas Diocesanas da Espanha, participarão do encontro que ocorrerá na cidade de El Escorial, região de Madri, capital do país.

A Cáritas Brasileira estará representada por padre Evaldo Ferreira, diretor tesoureiro, e por Maria Cristina dos Anjos, diretora executiva nacional da entidade. De acordo com Maria Cristina, este congresso, que ocorre a cada quatro anos, antecipa à realização da Assembleia Geral da Cáritas Internationalis. “Este congresso é importante porque possibilita espaços de diálogo e maior aproximação entre as Cáritas da América Latina, Caribe e a Cáritas da Espanha. É um momento também de preparação conjunta das Cáritas da América Latina para a participação na Assembleia Geral em Roma.”

Este ano, quatro conteúdos temáticos, relacionados com a reflexão do papa Bento XVI na Carta Encíclica Cáritas in Veritate, serão debatidos durante o encontro. São eles: Caridade e Gratuidade; Caridade Transformadora; Caridade e Compromisso Ético e Político; e Caridade e Cooperação Internacional. Neste último, a representante brasileira, Maria Cristina dos Anjos, será a mediadora dos debates.

por Thays Puzzi, assessora de comunicação da Cáritas Brasileira

Com o tema “Como avançar em uma caridade iluminada pela verdade: desafios ao longo do caminho”, a Cáritas Espanhola promove, nos dias 20 e 21 de maio, a sétima edição do Congresso Hispano-latinoamericano e do Caribe: Teologia da caridade. Cerca de cem representantes de 22 Cáritas da América Latina, além de todas as Cáritas Diocesanas da Espanha, participarão do encontro que ocorrerá na cidade de El Escorial, região de Madri, capital do país.

A Cáritas Brasileira estará representada por padre Evaldo Ferreira, diretor tesoureiro, e por Maria Cristina dos Anjos, diretora executiva nacional da entidade. De acordo com Maria Cristina, este congresso, que ocorre a cada quatro anos, antecipa à realização da Assembleia Geral da Cáritas Internationalis. “Este congresso é importante porque possibilita espaços de diálogo e maior aproximação entre as Cáritas da América Latina, Caribe e a Cáritas da Espanha. É um momento também de preparação conjunta das Cáritas da América Latina para a participação na Assembleia Geral em Roma.”

Este ano, quatro conteúdos temáticos, relacionados com a reflexão do papa Bento XVI na Carta Encíclica Cáritas in Veritate, serão debatidos durante o encontro. São eles: Caridade e Gratuidade; Caridade Transformadora; Caridade e Compromisso Ético e Político; e Caridade e Cooperação Internacional. Neste último, a representante brasileira, Maria Cristina dos Anjos, será a mediadora dos debates.

por Thays Puzzi, assessora de comunicação da Cáritas Brasileira

Reciclando Vidas, projeto da Cáritas Norte 2 com Catadores de Marituba.

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Quando se pensa em sustentabilidade a primeira ideia que vem a mente é reciclar. É com esse propósito que o projeto “Reciclando Vidas” realizado pela Cáritas do Regional Norte 2 em quatro municípios do Pará busca implementar: transformar a vida de catadores e catadoras em condições mais dignas de trabalho e melhor qualidade de vida.

 O projeto “Reciclando Vidas” é financiado pela União Européia através da Cáritas Alemã e visa o acompanhamento de grupos de catadores com o intuito de orientá-los no processo de formação e legalização em associações e/ou cooperativas. No Pará os municípios contemplados pelo projeto são Abaetetuba, Bragança, Paragominas e Marituba.

Segundo Ruth Heide Matos, assessora da Cáritas do Pará e Amapá, a formalização das cooperativas, ambiente de trabalho mais salubre e acesso a equipamentos e materiais apropriados para a captação do lixo resultam em uma melhor qualidade de vida aos catadores.

No último sábado (21) foi realizado uma visita no lixão de Marituba, localizado no bairro de Santa Luzia I para entrevistar os catadores que ali trabalham. O cenário ainda não é dos melhores, animais disputam o saco de lixo com os catadores. Muitos trabalham sob o sol quente e debaixo de chuva.

Durante as entrevistas foram perguntados aos catadores quais os instrumentos que utilizam para a captação do lixo, muitos responderam que utilizam bota, chapéu, calça comprida, luva e o gadanho, uma espécie de ferro que ajuda a abrir o saco e separar o lixo. Mas durante o período que estávamos lá, muitos não usavam a luva, não se conseguia ver as botas, totalmente imersas sobre o lixo.

A senhora Maria Ednair de 64 anos luta pela aponsentadoria

Foram perguntados também aos catadores quais os horários de trabalho, carga horária e a renda mensal. Foi verificado que os homens possuem uma carga horária de quase 12 horas e muitos trabalham de madrugada. Com exceção das mulheres que trabalham somente de dia, mas possuem uma carga horária de mais de oitos horas por dia como é o caso da Senhora Maria Ednair de 64 anos que trabalha como catadora há dez anos e que até hoje não está aposentada.

De acordo com Ruth Matos uma das propostas do projeto é acompanhar o grupo de catadores dessas associações e/ou cooperativas com o intuito de organizá-los e terem acesso ao mínimo de estrutura necessária para o trabalho. O projeto visa também incentivar os catadores a estabelecer parcerias com o poder público local, os mesmos são os principais responsáveis pelos resíduos sólidos dos municípios.

Dessa forma a associação de catadores de Marituba busca parceria com a prefeitura da cidade para melhoria das condições de trabalho, segundo a lei de Resíduos Sólidos todo o material reciclável deve ser destinado às associações ou cooperativas.

As condições socias e econômicas dos catadores são de vulnerabilidade, a maioria estudou até o ensino fundamental. Ruth Matos alerta que muitos catadores se sentem enganados por pessoas ou instituições que em nome da sustentabilidade realizam uma série de projetos que visam à melhoria de vida para os catadores, mas que de fato nada acontece.

Tudo começa com a formação

A Cáritas Norte 2 já trabalha com os catadores de Marituba desde 2009, através do projeto Cataforte que tem como parceiro a Fundação Banco do Brasil. Segundo a assessora da Cáritas Pará e Amapá, o Cataforte centra-se na formação dos catadores sobre a organização de associações e/ou cooperativas.

Os catadores de Marituba participaram do projeto de formação do Cataforte no qual foram realizadas diversas oficinas sobre o que é o trabalho do catador, conceito de trabalho coletivo, cadeia produtiva e técnicas de captação de materiais.  Ruth Matos revela que no Pará, quando não organizados, os catadores não buscam a coleta de materiais diversos. Os produtos são captados conforme a demanda, como não há contato com outras empresas, logo não há prospecção de novos clientes pra novos materiais.

Um dos resultados alcançados pelo Cataforte foi a formação e formalização de grupos de catadores “antes eles eram muito dispersos, eles trabalhavam de forma muito individual, eles não se reuniam de forma organizada em rede, hoje eles se reúnem, realizam projetos, isso já é bastante positivo.”, diz Ruth.

Este momento foi caracterizado como o primeiro estágio para se formar a associação, que iniciou em 2010 e agora com a inserção dos catadores de Marituba no projeto Reciclando Vidas para a formalização da associação, cujo nome já escolheu: ACAREMA (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Marituba) composta de 20 catadores inscritos na associação.

Em busca das metas

As principais metas do projeto Reciclando Vidas é examinar da renda dos catadores realizando um comparativo entre o valor que eles arrecadavam antes da formação do grupo e após a formalização da cooperativa no terceiro ano de projeto.

Para verificar esse diagnóstico, a assessora da Cáritas Norte 2 dá como exemplo a Cooperativa de Catadores de Materiais  Recicláveis de Paragominas (COPECAMARE). Conforme a assessora, antes os catadores ganhavam em média R$1000,00, mas tendo a participação de toda a família no trabalho “o marido, a mulher o filho em cima do lixão, de manhã, à tarde e a noite”. E acrescenta “sob uma condição de trabalho totalmente insalubre, sem horário de entrada, sem horário de saída, com apenas uma refeição por dia.”

Agora com acesso a outros projetos como o Reciclando Vida e a parceria da Prefeitura municipal através da Secretaria de Meio Ambiente os catadores de Paragominas possuem certa estrutura, fazem três refeições por dia. Ainda não estão 100%, mas eles saíram de cima do lixão e não trabalham mais no sol.

“Após adquirir o galpão e as parcerias estabelecidas com Prefeitura de Paragominas, os catadores passaram a trabalhar em condições mais salubres” lembra à assessora. Ela informa que no primeiro mês a renda diminuiu consideravelmente, registrou-se uma média de R$ 150 no mês de maio de 2010, com isso houve muitos catadores que desistiram da cooperativa. Ainda segundo Ruth Matos os que continuaram trabalhando na Cooperativa verificou-se um aumentou de R$ 700,00 a R$ 900,00 de 2010 até abril, quando foi aplicado o DRPU (Diagnóstico Rápido Participativo Urbano).

O projeto Reciclando Vidas termina no final deste ano “mas a ação da Cáritas com os Catadores é muito maior que o projeto” enfatiza Ruth. “Estamos buscando outras formas de dar continuidade ao projeto com outros financiadores, nós já temos três projetos prontos para cada município (Paragominas, Abaetetuba e Bragança). A ideia é fazer um novo projeto para Marituba, seguindo a metodologia do projeto, que é o acompanhamento sistemático, de estar presente, de orientá–los.”

Cáritas e Prelazia de Cametá em ação contra a exploração sexual

Priorizar de forma absoluta os direitos da criança e do adolescente é defender os princípios básicos de acesso à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, assim como os proteger da discriminação, negligência, violência e da exploração.

É por meio destes princípios de defesa pela vida que a Cáritas e Prelazia de Cametá, CNBB Norte 2, Conselho Regional de Assistência Social (CREAS), Conselho Tutelar, Conselho Municipal Direitos Criança Adolescente (COMDAC) e Secretaria Municipal de Educação (SEMED) mobilizaram-se hoje,  18 de maio, em favor do dia Nacional de Combate a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A mobilização já é resultado do projeto desenvolvido pela Cáritas Norte 2 “Tecendo Parcerias para o Enfrentamento da Violência e Tráfico de Mulheres”. De acordo com Joênia Nunes da Prelazia de Cametá foi realizado durante duas semanas um trabalho de conscientização e prevenção à exploração sexual de crianças e adolescentes realizados em 15 escolas municipais de ensino fundamental e médio da cidade.

Foram desenvolvidas diversas atividades abordando o tema executados por meios de redações, cartazes, desenhos e peças de teatro. Hoje, os trabalhos dos alunos serão expostos às 14hs na Arena Tucumã. A finalidade da apresentação é envolver alunos, pais, professores e a comunidade como um todo em um instrumento de prevenção no combate à exploração sexual.

A Prelazia de Cametá vem realizando um trabalho de combate a violência e exploração sexual de crianças e adolescentes há cinco anos, segundo Joênia o número de denúncias de vitimas que sofreram abuso aumentou consideravelmente na cidade.

Com isso a proposta da mobilização do dia 18 de maio é que após a demonstração dos trabalhos dos alunos seja realizada uma caminhada da Arena Tucumã até a Câmera Municipal para a entrega de uma carta aberta que será construída, conjuntamente, com as entidades parceiras da ação.

O propósito da carta é reivindicar pontos importantes para a proteção de crianças e de adolescentes vítimas de abuso sexual. Uma das propostas da carta é criação de uma casa de passagem “as crianças que são vitimas da violência não possuem um local que as resguardem, assim elas podem sair da casa de seus familiares sem serem tão expostas”.

Além dessa reivindicação Joênia informa que será solicitada a construção de um centro de perícia médica, e enfatiza “as crianças para realizarem um exame de corpo de delito devem ir até Belém para fazer o exame, só o deslocamento já é uma exposição a essa criança vítima de violência”.

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